domingo, 20 de março de 2011

Penso em coisas -19/03/11

Bem, após o meu terceiro final de semana de serviço, chego a conclusão de que os meus sábados e domingos foram extintos; para sempre ou não, ainda saberei. Tive hoje um momento de fraqueza, o qual não desejo que se repita...
Pensei por um instante, um momento ; que tinha feito a escolha errada, e de que meu lugar não era aqui. Foi pouco antes de dormir no intervalo do quarto de hora; sorte que... Bem, já passou...

Hoje não é um dia muito legal para mim. Faz nesse dia um ano em que dei um mau passo, que só se mostraria mal quatro meses depois. E por mais que se diga: "Ah, isso passa..." É, realmente passa, porém, deixa marcas positivas ou não. No meu caso, o "não" serviria melhor do que o "sim"; tá que houveram momentos bons, mas o final foi semelhante às peças de Shakespeare, em que todos morrem no final.

Isso me faz pensar infinitas vezes antes de amar alguém de novo; e também nas coisas boas e ruins que os sentimentos nos trazem. Amar alguém é fácil. Difícil é fazer o amor desse alguém ser igual ou recíproco ao seu.

Apesar de ter passado bons momentos ao lado dela – os quais não nego – não sinto mais nada, nada mesmo; melhor dizendo, sinto pena. Mas a vida tem dessas coisas, a gente aprende; apanha mais aprende.

Agora já está escurecendo, e penso na vida lá fora. Como devem estar as coisas, minha mãe, minha casa, meus amigos, e você, claro. Tenho um certo medo de amar de novo... No seu caso, não seria "amar de novo", até porque, nunca deixei de te amar e creio que você sabe bem disso; mas sim, um relacionamento novo.
Mas quando esse medo me vem, eu penso no seu sorriso, no teu jeito, em você; na sua forma mais normal e bela de ser e sinceramente, tenho motivos que me levam crer que daria certo se finalmente ficássemos juntos.

Como a musica diz:
"Abre o teu coração, se não eu pulo a janela..."

- Por hoje é só.


 

Beijos,
Te amo.


 

Marcos "Tinguah" Vinícius / Sd. Silva.


 

Dia de ralação, noite de “tora”

Hoje até que foi tranqüilo. A mesma coisa; TFM (Treinamento Físico Militar), onde entoamos canções vibrantes. Após o café da manhã, alguns infantes tiveram mal estar ao comer o pão com mortadela passada. (creio eu) Graças a Deus, eu não fui um deles.
Esses dias passaram tranqüilos, essa semana tive instrução de tiro de fuzil, tirei conceito "B", hoje é quinta feira dia 17, amanhã, logicamente é sexta, e o Major Aires irá passar fazendo revista nos armários; verificando arrumação e também se não há nada de ilícito por aqui (cigarros, álcool e baralhos). Creio que final de semana eu deva estar livre, daí eu irei dar os arremates do evento contigo.

Só hoje ao puxar o caderno para escrever, fui abordado por uns cinco, que perguntaram coisas do tipo: "Tá escrevendo livro?"; "É diário?"; "É sobre o quartel?". E eu respondo apenas: "Ah, eu gosto de escrever, nada mais..." Pinheiro, meu colega de beliche disse que eu poderia escrever um livro, só ter força de vontade e correr atrás. Cara legal, apesar de ser vascaíno, eu gosto dele...

Acabada essa Semana, só me resta mais uma semana na "Prisão DE". Daí, poderemos ter um contato melhor... A todo o momento, seja no rancho¹, ou correndo; vem-me a vida de paisano na cabeça, quando te conheci no auge dos meus 16 anos. Molecão, comuna, fumante e louco. Agora, carrego o fardo dos 19, com meu trabalho e minhas responsabilidades... É, parece que finalmente estou amadurecendo, e isso é bom. Dentro do quartel, eu sou Silva, ou Soldado Silva; do lado de fora, sou Marcos, Tinguah e etc... Mas nunca, jamais deixando de ser militar.

Quero mostrar isso a você, de alguma forma. Mas, é claro, basta me dar uma chance. Até porque, se você já aturou há cinco anos, já é uma boa desculpa para aturar mais uns 10, ou 20 ... (risos do autor)

Tratarei de dormir agora, o plantão de alojamentos já apagou as luzes e agora todos dormem. No quarto se vê apenas um celular, um vigia fazendo a ronda, um louco que escreve com o som dos ventiladores ao fundo...
Hoje estou meio saudosista, nostálgico... Enfim, como queira...
Logo então,

Beijos amor,
Saudades de você por completa,

Te amo.


 

Marcos "Tinguah" Vinicius / Sd. Silva

*Tora: gíria militar para sono.
¹Rancho: Refeitório, lugar onde se faz as refeições.

domingo, 13 de março de 2011

Braço forte, mão amiga

Leitores, as linhas a seguir falam sobre a minha estadia no quartel.
Exercícios estafantes, alimentação fora de hora, sono interrompido e instável... Tudo isso, é uma mera cortesia do Exército Brasileiro. Escrevo agora, deitado no meu beliche, número 334; ainda com o nome do ultimo ocupante, que nem me lembro ao certo.
Deitado aqui, não sei porque, me vem você na cabeça. Mas, não farei citações explicitas, afinal, como te disse: "Sejamos discretos".
Percebo neste quarto gigante com 60 pessoas, que cada um tem a sua tragédia pessoal, ou crença, ou jeito de ser. E que as pessoas podem ser relativas, de uma série de pluralidades sem par; ou seja, cada um com as suas singularidades.
Olho ao lado, e um dorme, do outro há uma cama vazia. A retaguarda dois ou três que conversam sentados na cama... E Enquanto o amanhã não vem, para enfim me vangloriar de só faltarem dois dias para ir para casa, eu me desdobro entre a saudade e o medo.
Saudades suas, e medo de te perder.
Digo que a distancia e o tempo que se faz por nos separar, me parece ínfimo, quase que impalpável quando te vejo nos meus delírios e escuto a sua voz ao telefone toda vez que disco o seu numero... Não que isso me baste, mas ameniza um pouco, sabe?
Me ligue, me chame... Um carinho de vez enquanto faz bem. Enquanto isso não acontece, fico pensando no dia em que nos aturaremos de vez.
As noites aqui são solitárias... Embora se esteja cercado de gente.
Mas agora tentarei dormir, quem sabe não te encontro e a minha solidão tem fim?
É algo que talvez saberei,
Mas por enquanto só desejo duas coisas:

- Boa Noite, e me ame.

Marcos "Tinguah" Vinícius (ou Sd. Silva)


*Escrito as 22:30~23:00h do dia 09/03/11

Um quarto de hora

Plantão de alojamentos, soldado Silva. Neste momento são uma e vinte da manhã e ao longe se ouve apenas o barulho dos carros do lado de fora do quartel.
Em pleno aniversário, dia doze, eu fui contemplado com serviço. Revoltante?! Sim, muito. Não tem uma viva alma que subirá para o alojamento por essas horas; porque razão tenho de ficar aqui?
Até que hoje a comida foi ótima: Arroz feijão, frango assado, batatas coradas e farofa. Realmente gratificante; perfeito.
Ando pensando sobre as coisas neste quarto, como por exemplo: Comprar um carro, ficar com você, saudades de casa, da minha mãe, de você. Imagine que até no meu pai parei para pensar.
Acho que o quartel faz isso com a gente, ficamos até embasbacados ao ir para casa e notar algo diferente... Seja o sofá, a parede, o teto. Não sei ao certo, mas vejo que escrever é a única coisa que me resta até as duas da manhã.
O que eu mais queria de presente de aniversário era uma ligação sua, uma mensagem, um sinal de fumaça; sei-lá... Você. Queria você. Teu riso, tua voz e a tua presença; sinto falta disso e de quando estava contigo.
Bem sei que aqueles dias não voltam mais. Eu mudei; você mudou; nós mudamos – para melhor, creio eu.
Porém, muito embora um dia ensolarado não seja igual por todas as vezes, o que importa é a luz que ele nos proporciona.
Pense em mim;
Sinta minha falta
Me queira bem e me ame
Creio que já é o bastante.

Marcos "Tinguah" Vinícius (ou Sd. Silva)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sem nome

Andei meio

Caído

Pensando em você, tudo perdeu o sentido

O menino atravessou a P O N T E do pensamento

E fez-se na cabeça o tormento

Desceu
as
escadas
da dor
Tentando encontrar o seu amor
Porém, nada encontrava
E, quando todos saiam, chorava
Perdido,
Como alguém em um birinlato
subir
Ao do sol, tudo se suspendeu
Até a tristeza que a ele abateu
pássaros
Queria ser como os
Voar
A
Sem com a vida se preocupar


Sem um trocado no bolso,
Foi viajar
Seu caminho era distante
Destino incerto.
Poderia ter ido para perto
Mas, a dor ainda presente
O tornara um combatente

Viver os dias sem razão
Com uma esperança a bater
No fundo do coração
E ao todos concordariam
morrer
"Este tinha razão"





quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Réu confesso

Eu sinto uma falta, mas uma falta imensa...
Falta de não sei o quê, mas essa falta que tenho me aperta o peito, e me causa dor.
Por mais que eu pense e tente chegar a uma conclusão do que me falta, tudo me parece vão ao chegar da conclusão.
Eu não sou sozinho; tenho amigos, irmãos, família, e uma infinidade de conhecidos, mas o que me falta eu não sei.
Sei que na maioria das vezes me sinto sozinho.
Me pergunto se seria um amor?
Talvez...
E por mais que me pareça aterrador, ou até mesmo incompreensível, eu tento esconder com um sorriso de: "Tudo está bem"
As minhas dúvidas e incertezas cada vez mais me assombram, minha ansiedade se manifesta e eu não consigo pensar no que será de mim.
Como vai ser o meu futuro? Essa coisa que se alterna entre o distante e o perto, entre o bom e o ruim.
De vez enquanto, alguma coisa do meu passado peralta vem me consolar, as boas lembranças, e as coisas vivi e deixei de viver.
E me sinto como um tronco no rio, sendo levado pela correnteza e caindo em meio uma cascata de medos e anseios, como se nada na minha vida fosse programado, como se eu não conseguisse tomar nenhuma decisão por mim.
E por mais lágrimas que meus olhos possam ter, por mais tristezas que este velho peito carregue, de alguma forma, algo me diz que a minha hora um dia chega.
Uma esperança.
Um sopro de ar pela janela.
Isso é algo em que eu devo acreditar, é algo que eu realmente tenho que ter confiança.
Na mudança.
E eu flerto com ela como alguém que olha para uma imagem de gesso, ou simplesmente segura um terço para exercitar a sua fé.
Eu olho para trás e vejo aquele menino de outrora, aquele garoto irresponsável, de muitos sorrisos e de companheiros e parcerias inesgotáveis, e chego a conclusão de que parte daquele menino se perdeu, não pelo mundo, mas se perdeu em mim.
Às vezes eu sou tantos, que ele deve ter corrido assustado, ou com vergonha dessa pessoa que me tornei.
Eu me olho no espelho, e vejo qualquer coisa, menos eu.
Mas no fundo de meus olhos, no fundo de minh'alma, eu tenho ele comigo. Ainda que tímido ele as vezes volta, como não podia deixar de ser.
É só mesmo então que volto a sorrir novamente.
Aí, é quando eu consigo sentir o gosto das coisas, da vida, sentir o calor do sol.
O que é triste, porque, depois disso ele se esvai entre meus dedos para se esconder novamente dentro desta pobre e podre carcaça que aqui escreve.
E cada vez mais, eu me sinto um assassino por ter matado aquele garoto, é. Aquele mesmo.
Considero-me culpado, e cada vez mais culpado por esse crime horrendo, me sinto um monstro.
Na hora de apunhalá-lo, não hesitei.
Eu provei o gosto do sangue em minha garganta, eu senti a dor daquele pobre diabo.
Mas, somente depois, depois de tudo é que eu fui notar quanta falta ele me fazia.
O único gosto, ainda na garganta é o do sangue.
E a dor que sinto hoje, consegue ser maior ainda do que a dor que senti enquanto revirava o punhal no peito.

- É só.

Marcos "Tinguah" Vinícius

Hoje a cobra fuma

Ah mulher, hoje você vai ser minha...
Eu não vejo a hora dos meus braços te envolverem, e das minhas mãos ensaiarem caricias por entre o seu corpo, e ver-te com seus olhos fechados suspirando e ansiando por mais.
Dar-te-ei meu beijo mais apaixonado, meu beijo mais cheio de volúpia; de forma que tanto eu quanto você nos esqueçamos do mundo que nos cerca... Como se o mundo nesse exato momento não passasse de eu e você nesta cama. Seu mundo irá rodar por entre os delírios e as loucuras que faremos juntos. Em caso de dúvida, aja no instinto, faça o que vier a cabeça.
E depois de provar do mel de sua boca, passo a explorar cada brecha, cada vestígio de sua feminilidade... Como se fosse um exímio explorador, deixando-te em êxtase enquanto a sua voz e seus gemidos de prazer ecoam pelo quarto. Traço um mapa mental da sua geografia, das tuas linhas, dos teus paralelos; do teu corpo nu em minha frente.
E enquanto você me despe as roupas, eu sinto o calor das suas mãos a passear pelo meu peito, a passar pelos pêlos da minha perna e o seu riso de criança a perceber que não sou apenas eu que faço você delirar de prazer... O que torna cada vez mais este momento único e recíproco a nós.
Feito isso, minha alma entra na sua e não se sabe se sou eu que entro em você, ou se é o oposto... Apenas se sabe a sensação maravilhosa de singularidade, de união e de prazer que se sente, coisas que são indescritíveis e não se consegue pôr em palavras.
Nessa hora, não se sabe quem é caça ou caçador, quem é a presa ou o predador, quem é o dominador ou quem domina... No meio desta confusão de sentimentos, eu te olho de cima. Você, linda, inigualável com seus olhos revirando de prazer, gemendo de ardor; provando até a última gota do cálice da luxúria. Tuas unhas me arranham as costas, tua leoa se manifesta e, no meio de um beijo onde as línguas se confundem você me faz juras de amor eterno, amores impossíveis e incompreensíveis a realidade humana. E eu juro, olhando em teus olhos que te amarei para todo o sempre.
Estamos ali, naquele quarto, em cima daquela cama, tão unidos, que não se consegue dizer quem é quem à primeira vista... O que se faz, o que se passa naquele momento é amor, na sua mais bela aparência e que chega a ser intangível a algumas pessoas.
De repente, sinto a sua respiração mais ofegante, quase trôpega, e sinto teu corpo vibrando.
Enquanto, eu como ativo e um voyeur da ação, deliro, e o mesmo se passa comigo, sinto como se por um momento eu tivesse morrido e alcançado as estrelas junto contigo, como se tivéssemos largado nossos corpos terrenos, nossas vidas comuns e nos juntado aos anjos, e as constelações da grande imensidão azul a que chamam de céu. Por um momento, eu me sinto invulnerável, como se o mundo fosse pequeno demais para conter a minha alegria e felicidade, e pelo brilho nos teus olhos, eu tenho a certeza máxima que você também sente o mesmo.
E num flash, num piscar de olhos, voltamos à cama onde tudo teve início.
Me deito a teu lado, e apenas olho em teus olhos, e é como se eu conseguisse entender tudo que você tem a me dizer, e apesar das muitas palavras que identifico, das muitas frases ditas por eles, eu entendo tudo, tudo.
É como se estivéssemos conectados, unidos de uma forma que ninguém consegue separar...
Abraço-te, e ainda consigo sentir vestígios de sua respiração ofegante... Faço-lhe afagos, beijo-te à testa enquanto você tenta pôr em palavras tudo que sentiu, mesmo sabendo que será totalmente vão, e que somente eu entenderei.
Depois de conversas, e de risos e de um sem par de sensações...
Nos abraçamos e dormimos, unidos, para assim partilharmos os mesmo sonhos e as mesmas emoções que muitos invejam, e que somente nós sentimos.


 

Marcos "Tinguah" Vinícius