sexta-feira, 15 de abril de 2011

Para o Celso

Celso, meu querido!
É ótimo saber que tenho mais um leitor, prometo me esforçar pra escrever alguma coisa legal pra ti e contar como vão as coisas, e também para a minha incrível audiência de agora 4 (quatro) leitores.
Achei legal de sua parte se preocupar comigo, apesar da distância que separa essa amizade.
É bom saber que as pessoas ainda se lembram, ou melhor, que meus amigos ainda se recordam de mim. Confesso aqui, desde já a minha displicência para com eles, mas saibam que não é por mal... É apenas por falta de tempo, até porque eu não fico um tempo só sem pensar em vocês.

Bem, eu realmente preciso conversar com meus amigos, até porque, a presença deles me trás paz.
Problemas, Celso, até que tem... Tô um mês sem salário, vi quatro anos de esperança irem pelo ralo, o dinheiro tá curto e o cansaço quase sempre me espanca ao chegar em casa.
Sabe, sobre esses quatro anos que eu citei ai em cima, creio que você já deva saber... Sabe a Yasmin? Então, a própria. Foi a mais bela e trágica estória de amor que já vi e vivenciei. Pelo texto do "Vergonha na cara" já dá pra ter uma base do que ocorreu durante esse tempo. Eu corria atrás que nem um puto, ela me enchia de esperanças, e depois sumia; logo então, cheguei à conclusão de que ela não queria porra nenhuma comigo. Porque há de ser convir que quando alguém gosta, ou sente alguma coisa por outra pessoa, esse alguém corresponde e ela tava deixando a desejar nisso.

Hoje eu tava pensando... Acho que meu destino –se é que destino existe mesmo- é ser mesmo sozinho. Tipo, sei lá, vou me dedicar a ajudar as pessoas ou talvez ao quartel mesmo, porque no amor eu já perdi mesmo antes de jogar.

E quanto ao quartel, nem é aquele "bicho de sete cabeças" que todos dizem... É simples até. Só tem algumas coisinhas que você tem que fazer como: Ordem unida com e sem armamento, andar com a farda limpa, coturno engraxado (de preferência brilhando), prestar continência e cumprir ordens... É quase que um trabalho normal. E pior, eu estou adorando tudo isso! Talvez eu deva ter vocação pra masoquista (muitos dirão isso), mas é uma coisa chamada vocação... Algumas pessoas nascem pra roubar mercados, outras para queimar mendigos... Eu nasci para o exército, é simples!

Como você disse no MSN enquanto eu devia estar dormindo no quartel por falta de dinheiro: "Te conheço pouco e por muito pouco tempo, mas te conheço tempo suficiente pra saber que você é parceiro"
Juro que fiquei com os olhos cheios d'água quando vi as mensagens recebidas Off-line, e estou aqui para dizer que estou digitando com um copo de Brahma do lado, ou seja, de qualquer forma, estamos bebendo juntos e trocando idéias. É incrível o que a internet nos proporciona... Mas, eu quero marcar um dia com meus amigos e beber um pouco, jogar uma conversa fora e rir, até porque nessa vida tudo é brincadeira; Só se leva o que vive.

E se depender de todos aqueles que como você me acompanharam até aqui nesta louca e incrível caminhada... Poderei dizer lá no final, quando tudo tiver passado, que sim.
Vivi.

Celso, você é uma das pessoas que marcaram meu 2009/2010.
Cuide-se, viva, e aproveite tudo ;)


 

Abraços cara

ô/

sábado, 9 de abril de 2011

Oração do Infante

Senhor!
Vós que disseste ao infante:
"Dominai sobre todas as criaturas"
Fazei-me forte em corpo e alma,
Dai-me a graça de saber lutar com lealdade,
E vencer com justiça,
Mas se não merecer a vitória,
Morrer com dignidade.

BRASIL!
Acima de TUDO!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vergonha na cara (Desabafo)

"Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
"

(Augusto dos Anjos)


 

Eu ando bem, obrigado.
Nem isso você me pergunta. Morro, ou quase de saudades suas e você faz questão de sumir, desaparecer, com um prazer vil e sádico que me tortura.
Eu não te entendo; e você acha que me entende... É aí que está a falha.
Se querias me ver a míngua, triste e sofrido... Parabéns, conseguiste.
Ainda quero saber o porque de tudo isso, saber o porque me enches de falsas promessas, falsos risos e depois evapora; simplesmente se esvai.
Talvez seja eu, talvez seja você.
Mas o porque de tanta covardia, e um certo ar de masoquismo eu juro que ainda não sei.
Masoquismo sim, porque eu tenho certeza de que você irá se aventurar, e depois quebrar a cara de novo; como já aconteceu diversas vezes anteriormente. Mas, a escolha é sua, claro.
Ah você e a sua péssima mania de viver no inverno...

Você não me quer, sejamos francos.
Simplesmente não se importa com nada, não dá um sinal de preocupação para com a minha pessoa, enquanto que eu já começo a mostrar sinais de cansaço de tanto correr atrás de você.
Não minto quando digo que você foi uma das melhores coisas que já me aconteceram, e nem quando penso em você com uma certa faísca de esperança de te ter do meu lado. Porem é preciso ter um mínimo de amor próprio e de orgulho.

Chego à conclusão de que a mesma coisa que me deixa feliz, é a mesma coisa que me deixa na merda.
Eu juro que tentei, tentei inutilmente seguir, viver a vida que dizem ser bela, mas nada tem sentido. Você me era como uma diretriz, o pote de ouro no final do arco-íris –ou alguma coisa parecida com isso- mas de nada adianta.
Me sinto um cão correndo em círculos atrás do próprio rabo.

Já lhe disse coisas indizíveis, jurei coisas inacreditáveis e fiz promessas que tenho certeza de poder cumprir.
Mas, como diz a canção:
"O 'Pra sempre' sempre acaba"
Acho que já é a hora do meu "pra sempre" acabar.
Afinal, já tenho quase certeza de que para você acabou...

Talvez, se algum dia você disser coisas que eu nunca ouvi, coisas essas que só você sabe dizer.
Ou talvez me fizesse algo.
Uma simples ação pode virar o jogo, e essa ação será total e exclusivamente sua, não me meterei nisso.
Possa vir a mudar as coisas, mas, pelo "andar da carruagem", acho que meus sonhos já outrora castrados, acabam por se tornarem mortos.
Me aperta o coração, minhas mãos tremem ao escrever isso, mas hoje eu partirei.
Vou sumir, tentarei não pensar em você, não discarei teu numero e nem lembrarei de teu sorriso.
Creio que isso é o mais ideal a se fazer, afinal, de nada adianta me prender a você enquanto nem ligas para mim.

"Então diz a verdade, ou me ama agora... Ou me deixa partir. Se não há mesmo nada, me deixa com essa angustia engasgada."

Durante 4 anos da minha vida, eu me lembrei de você.
De todas aquelas coisas que você me disse sentada lá, naquele banco, daquela mesa em frente a Praia do Flamengo:
"Hoje não dá, mas amanhã... Quem sabe?"
Por um momento eu fiquei feliz, juro. Mas com o passar do tempo eu acho melhor ter ouvido qualquer coisa a isso.
Antes o "não" logo de cara, do que a maldita incerteza do talvez.

Faça o seguinte, não precisa me ligar mais... Apague meu numero da sua agenda.
Não mande mensagens carinhosas,
E se puder ainda, nem fale comigo...
Eu sei que irá me doer, te perder seria como arrancar uma parte minha, mas devido às circunstancias, acho que seria o melhor a ser feito.
É melhor que me acostume à idéia de não te ter mais, até porque, creio que para ti, isso não é mais possível.
Apesar de ser a ultima coisa que lhe escrevo, termino aqui como todas as outras demais.

Beijos guria, te amo.
Cuide-se, passe bem e seja feliz...


 

Marcos "Tinguah" Vinicius / Sd. Silva

domingo, 20 de março de 2011

Penso em coisas -19/03/11

Bem, após o meu terceiro final de semana de serviço, chego a conclusão de que os meus sábados e domingos foram extintos; para sempre ou não, ainda saberei. Tive hoje um momento de fraqueza, o qual não desejo que se repita...
Pensei por um instante, um momento ; que tinha feito a escolha errada, e de que meu lugar não era aqui. Foi pouco antes de dormir no intervalo do quarto de hora; sorte que... Bem, já passou...

Hoje não é um dia muito legal para mim. Faz nesse dia um ano em que dei um mau passo, que só se mostraria mal quatro meses depois. E por mais que se diga: "Ah, isso passa..." É, realmente passa, porém, deixa marcas positivas ou não. No meu caso, o "não" serviria melhor do que o "sim"; tá que houveram momentos bons, mas o final foi semelhante às peças de Shakespeare, em que todos morrem no final.

Isso me faz pensar infinitas vezes antes de amar alguém de novo; e também nas coisas boas e ruins que os sentimentos nos trazem. Amar alguém é fácil. Difícil é fazer o amor desse alguém ser igual ou recíproco ao seu.

Apesar de ter passado bons momentos ao lado dela – os quais não nego – não sinto mais nada, nada mesmo; melhor dizendo, sinto pena. Mas a vida tem dessas coisas, a gente aprende; apanha mais aprende.

Agora já está escurecendo, e penso na vida lá fora. Como devem estar as coisas, minha mãe, minha casa, meus amigos, e você, claro. Tenho um certo medo de amar de novo... No seu caso, não seria "amar de novo", até porque, nunca deixei de te amar e creio que você sabe bem disso; mas sim, um relacionamento novo.
Mas quando esse medo me vem, eu penso no seu sorriso, no teu jeito, em você; na sua forma mais normal e bela de ser e sinceramente, tenho motivos que me levam crer que daria certo se finalmente ficássemos juntos.

Como a musica diz:
"Abre o teu coração, se não eu pulo a janela..."

- Por hoje é só.


 

Beijos,
Te amo.


 

Marcos "Tinguah" Vinícius / Sd. Silva.


 

Dia de ralação, noite de “tora”

Hoje até que foi tranqüilo. A mesma coisa; TFM (Treinamento Físico Militar), onde entoamos canções vibrantes. Após o café da manhã, alguns infantes tiveram mal estar ao comer o pão com mortadela passada. (creio eu) Graças a Deus, eu não fui um deles.
Esses dias passaram tranqüilos, essa semana tive instrução de tiro de fuzil, tirei conceito "B", hoje é quinta feira dia 17, amanhã, logicamente é sexta, e o Major Aires irá passar fazendo revista nos armários; verificando arrumação e também se não há nada de ilícito por aqui (cigarros, álcool e baralhos). Creio que final de semana eu deva estar livre, daí eu irei dar os arremates do evento contigo.

Só hoje ao puxar o caderno para escrever, fui abordado por uns cinco, que perguntaram coisas do tipo: "Tá escrevendo livro?"; "É diário?"; "É sobre o quartel?". E eu respondo apenas: "Ah, eu gosto de escrever, nada mais..." Pinheiro, meu colega de beliche disse que eu poderia escrever um livro, só ter força de vontade e correr atrás. Cara legal, apesar de ser vascaíno, eu gosto dele...

Acabada essa Semana, só me resta mais uma semana na "Prisão DE". Daí, poderemos ter um contato melhor... A todo o momento, seja no rancho¹, ou correndo; vem-me a vida de paisano na cabeça, quando te conheci no auge dos meus 16 anos. Molecão, comuna, fumante e louco. Agora, carrego o fardo dos 19, com meu trabalho e minhas responsabilidades... É, parece que finalmente estou amadurecendo, e isso é bom. Dentro do quartel, eu sou Silva, ou Soldado Silva; do lado de fora, sou Marcos, Tinguah e etc... Mas nunca, jamais deixando de ser militar.

Quero mostrar isso a você, de alguma forma. Mas, é claro, basta me dar uma chance. Até porque, se você já aturou há cinco anos, já é uma boa desculpa para aturar mais uns 10, ou 20 ... (risos do autor)

Tratarei de dormir agora, o plantão de alojamentos já apagou as luzes e agora todos dormem. No quarto se vê apenas um celular, um vigia fazendo a ronda, um louco que escreve com o som dos ventiladores ao fundo...
Hoje estou meio saudosista, nostálgico... Enfim, como queira...
Logo então,

Beijos amor,
Saudades de você por completa,

Te amo.


 

Marcos "Tinguah" Vinicius / Sd. Silva

*Tora: gíria militar para sono.
¹Rancho: Refeitório, lugar onde se faz as refeições.

domingo, 13 de março de 2011

Braço forte, mão amiga

Leitores, as linhas a seguir falam sobre a minha estadia no quartel.
Exercícios estafantes, alimentação fora de hora, sono interrompido e instável... Tudo isso, é uma mera cortesia do Exército Brasileiro. Escrevo agora, deitado no meu beliche, número 334; ainda com o nome do ultimo ocupante, que nem me lembro ao certo.
Deitado aqui, não sei porque, me vem você na cabeça. Mas, não farei citações explicitas, afinal, como te disse: "Sejamos discretos".
Percebo neste quarto gigante com 60 pessoas, que cada um tem a sua tragédia pessoal, ou crença, ou jeito de ser. E que as pessoas podem ser relativas, de uma série de pluralidades sem par; ou seja, cada um com as suas singularidades.
Olho ao lado, e um dorme, do outro há uma cama vazia. A retaguarda dois ou três que conversam sentados na cama... E Enquanto o amanhã não vem, para enfim me vangloriar de só faltarem dois dias para ir para casa, eu me desdobro entre a saudade e o medo.
Saudades suas, e medo de te perder.
Digo que a distancia e o tempo que se faz por nos separar, me parece ínfimo, quase que impalpável quando te vejo nos meus delírios e escuto a sua voz ao telefone toda vez que disco o seu numero... Não que isso me baste, mas ameniza um pouco, sabe?
Me ligue, me chame... Um carinho de vez enquanto faz bem. Enquanto isso não acontece, fico pensando no dia em que nos aturaremos de vez.
As noites aqui são solitárias... Embora se esteja cercado de gente.
Mas agora tentarei dormir, quem sabe não te encontro e a minha solidão tem fim?
É algo que talvez saberei,
Mas por enquanto só desejo duas coisas:

- Boa Noite, e me ame.

Marcos "Tinguah" Vinícius (ou Sd. Silva)


*Escrito as 22:30~23:00h do dia 09/03/11

Um quarto de hora

Plantão de alojamentos, soldado Silva. Neste momento são uma e vinte da manhã e ao longe se ouve apenas o barulho dos carros do lado de fora do quartel.
Em pleno aniversário, dia doze, eu fui contemplado com serviço. Revoltante?! Sim, muito. Não tem uma viva alma que subirá para o alojamento por essas horas; porque razão tenho de ficar aqui?
Até que hoje a comida foi ótima: Arroz feijão, frango assado, batatas coradas e farofa. Realmente gratificante; perfeito.
Ando pensando sobre as coisas neste quarto, como por exemplo: Comprar um carro, ficar com você, saudades de casa, da minha mãe, de você. Imagine que até no meu pai parei para pensar.
Acho que o quartel faz isso com a gente, ficamos até embasbacados ao ir para casa e notar algo diferente... Seja o sofá, a parede, o teto. Não sei ao certo, mas vejo que escrever é a única coisa que me resta até as duas da manhã.
O que eu mais queria de presente de aniversário era uma ligação sua, uma mensagem, um sinal de fumaça; sei-lá... Você. Queria você. Teu riso, tua voz e a tua presença; sinto falta disso e de quando estava contigo.
Bem sei que aqueles dias não voltam mais. Eu mudei; você mudou; nós mudamos – para melhor, creio eu.
Porém, muito embora um dia ensolarado não seja igual por todas as vezes, o que importa é a luz que ele nos proporciona.
Pense em mim;
Sinta minha falta
Me queira bem e me ame
Creio que já é o bastante.

Marcos "Tinguah" Vinícius (ou Sd. Silva)